Sempre pretendemos ser aquilo que não somos e, através de livros, imaginamo-nos como uma personagem, mas nem sempre a fantasia vem para o mundo real. Uns leem Clarice Lispector e pensam como seriam se fossem mulherzinhas; umas sonham em ser uma madame Bovary e, no máximo, dão pro entregador da farmácia; outros acreditam que são profundos porque passaram das duzentas páginas de Crime e Castigo; outras são Lady Chaterley com o mesmo entregador daquela farmácia. Se é pra fantasiar, prefiro ser um detetivão de uma história policial, daqueles do Elmore Leonard. Por que os metidos a intelectual, daqueles que babam pela Clarice Lispector e dão o rabo pra entregadores de farmácia, desprezam o bem-amado romance policial? Agatha é mais lida que a Bíblia. Amém! DataJoss. Quem conta melhor uma história: Dashiel Hammet, Simenon ou Raymond Chandler?
Escrito por Riccardo Joss às 00:04:35
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Agora Juliet estava deitada, imóvel, olhando para o mapa de Veneza emoldurado e pendurado na parede em frente à cama deles. Olhou para os canais internos unidos uns aos outros em um nó. Então, assim como as paredes de pedra de Veneza suportavam a água escura que corria entre elas, e assim como a água suportava seu confinamento entre as paredes sinuosas que a mantinham ali, e assim com a perene relação entre ela e Benedict era algo que tinha um nome, uma existência, um tipo de beleza, da mesma forma Juliet podia suportar o dia que estava por vir. Essa é das melhores definições de um casamento que já li. Vai usar bem as metáforas assim lá em Cambridge. Rachel Cusk é das melhores descobertas dos últimos anos. O excerto é de “Arlington Park”.
Escrito por Riccardo Joss às 15:06:35
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