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Um Tiro no Escuro


Este texto foi escrito, reescrito e nunca foi publicado. Ninguém nem se lembra deste blog, mas me fará bem publicado mesmo que anacronicamente.

Goiânia, 3 de janeiro de 2017

Dearest Steven G,

Escrevo-lhe, de tão longe,  para agradecer o que você fez para mim e para a imensa torcida dos Reds. A carta era para ser enviada ano passado, mas você viu a tragédia que aconteceu aqui com a Chapecoense, né? E nosso Liverpool foi dos primeiros times a homenagear o time de Santa Catarina com um inesquecível ‘’You Never Walk Alone”. Foi lemocionante. É por essas coisas que torço para os Reds. E isso vem de há muito tempo... Quando você nasceu, eu já torcia para o Liverpool, mas você só fez meu amor pelo nosso clube aumentar, mesmo estando longe de Anfield. Quando você nasceu, você também já era Red.

A história do seu primo, a mais jovem vítima de Hillsborough, a raça e paixão são marcantes no meu coração. Você é como nós, torcedor do Liverpool. Ver você em campo trazia a certeza de seu amor pelo clube. Foram 17 anos de fidelidade a cada um de nós, o que causava confiança de quem sempre você estava fazendo o melhor.

Depois de negar o convite de Sir Alex Ferguson para jogar no nosso maior rival e de uma terrível década de 90 para a gente, você começou a nos causar alegrias. Lembra-se do do título da Copa da UEFA em 2001?  E a bater nos poderosos Manchester United e Bayern de Munique nas Supercopas da Inglaterra e da Europa? Você elevou nossa autoestima. Os gols que você sempre fez contra o United, como no título da Copa da Liga em 2003 – quando você já era capitão, nos fez sentir de novo como gigantes. E somos mesmo.

Mas a maior emoção foi em 2005. Lembro-me de cada segundo daquela quarta-feira.  Nunca tinha acompanhado uma final do Liverpool na Liga dos Campeões ao vivo, mas ao ver você com a camisa 8, sentia-me confiante. No intervalo, mesmo perdendo por 3 a 0,  acreditava que você pudesse reverter aquele prenúncio de tragédia. Com olhos marejados, recordo do seu gol – era um gol marcado por um torcedor -e de tudo que veio depois... eu sozinho, gritando e chorando como um bebê, mas de alegria. Éramos, depos de 21 anos, pela quinta vez, os maiores da Europa. Se eu morresse naquele começo de noite, morreria muito feliz.

Depois de tudo isso, não precisava de mais nada, entretanto ainda vieram alumas taças, muitos gols e, mais importante, muita paixão. Sua história no Liverpool é linda, vai além de sua categoria, seu chute potente, sua técnica e marcação implacável. Não houve outro meio-campista melhor na sua geração. Seu caráter é exemplo para mim e para os Reds espalhados no mundos.

Falam muito de um Campeonato Inglês que faltou em sua carreira. Azar da Premier League. Você foi fiel, você foi um dos Reds. Isso vale mais que títulos que pudesse conquistar com outras camisas. Todos nós escorregamos na vida, futebol é uma metáfora na vida. Seu exemplo como homem vale muito mais que uma taça que não coquistamos.

O senhor é uma lenda. Muito obrigado por tudo. A saudade machuca, todavia só há uma maneira de me despedir: YOU’LL NEVER WALK ALONE.

Grande abraço,


Riccardo Joss



Escrito por Riccardo Joss às 12:34:43
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